%0 Journal Article %A Laurindo Santos, Júlia Valentin %A Prudente, João Vitor %A Parente-Ribeiro, Letícia %A Lins-de-Barros, Flavia %T Efeitos e desafios da pandemia da Covid-19 para a economia de praia: o caso do negócio de barracas no Rio de Janeiro, Brasil %D 2020 %@ 2304-0963 %U http://hdl.handle.net/10498/28193 %X Em 2020, a rápida disseminação da Covid-19, doença causada por um vírus altamente contagioso, levou muitos governos a adotarem medidas de isolamento social, incluindo a suspensão de atividades consideradas não essenciais e o fechamento de espaços públicos. No Brasil, país que se distingue pelo turismo de sol, mar e areia, os reflexos das medidas foram imediatos nos meses de março, abril, maio e junho: praias fechadas e suspensão das atividades econômicas vinculadas a elas. Este artigo busca compreender os efeitos da pandemia da Covid-19 sobre um setor tradicional da economia de praia no Rio de Janeiro, o “negócio de barracas”. Para tanto, analisamos: 1) a organização do setor no período anterior à pandemia; 2) as medidas legais adotadas para conter a disseminação do novo coronavírus e que incidiram sobre o espaço da praia; 3) os efeitos das ações governamentais no cotidiano dos trabalhadores vinculados ao “negócio de barracas”; 4) os desafios para a retomada das atividades no período pós-pandemia. Os dados utilizados nesta pesquisa resultam de levantamentos e trabalhos de campo realizados no período anterior à pandemia e da aplicação, durante a quarentena, de entrevistas semiestruturadas, via redes sociais, com donos e funcionários de barracas das praias da orla marítima da cidade. Para este estudo também foram analisadas as medidas normativas que incidiram sobre as praias da cidade do Rio de Janeiro durante a pandemia. Como principais resultados destacamos, primeiramente, a importância do “negócio de barracas” nos circuitos econômicos associados às praias cariocas, bem como o papel que a atividade desempenha na organização espacial da ocupação da faixa de areia. Em relação às medidas governamentais de isolamento social, notamos que as praias foram um dos os espaços afetados durante mais tempo pela suspensão das atividades e que, até a reabertura total ocorrida em outubro, as atividades associadas ao solário, como o “negócio de barracas”, foram as que apresentaram um horizonte mais incerto de retomada. Os impactos no cotidiano dos donos das barracas e de seus funcionários foram enormes, com a diminuição vertiginosa de suas rendas e as dificuldades de se encontrar alternativas de trabalho. Tais efeitos foram, em parte, compensados pela adoção de medidas assistenciais pelos governos e pela criação de redes de apoio envolvendo frequentadores, brasileiros e estrangeiros, das praias cariocas, fruto de uma relação construída ao longo de anos com barraqueiros e outros trabalhadores ambulantes. Por fim, a partir de um exercício comparativo com outras situações no mundo, destacamos os desafios já enfrentados para a adoção de novas formas de ordenamento do uso das praias no mundo pós-pandemia. %K Gestão costeira %K Isolamento social %K Barraqueiros %K pandemia Covid-19 %K Coastal management %K social distancing %K beach workers %K beachfront %~ Universidad de Cádiz