Efeitos e desafios da pandemia da Covid-19 para a economia de praia: o caso do negócio de barracas no Rio de Janeiro, Brasil

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Effects and Challenges of the Covid-19 Pandemic on the Beach Economy: The Case of the Tents Business in Rio de Janeiro, Brazil
Date
2020-12Source
Costas - 2020, Vol. 2, n. 2 pp. 263-286Abstract
Em 2020, a rápida disseminação da Covid-19, doença causada por um vírus altamente contagioso, levou muitos governos a adotarem medidas de isolamento social, incluindo a suspensão de atividades consideradas não essenciais e o fechamento de espaços públicos. No Brasil, país que se distingue pelo turismo de sol, mar e areia, os reflexos das medidas foram imediatos nos meses de março, abril, maio e junho: praias fechadas e suspensão das atividades econômicas vinculadas a elas. Este artigo busca compreender os efeitos da pandemia da Covid-19 sobre um setor tradicional da economia de praia no Rio de Janeiro, o “negócio de barracas”. Para tanto, analisamos: 1) a organização do setor no período anterior à pandemia; 2) as medidas legais adotadas para conter a disseminação do novo coronavírus e que incidiram sobre o espaço da praia; 3) os efeitos das ações governamentais no cotidiano dos trabalhadores vinculados ao “negócio de barracas”; 4) os desafios para a retomada das atividades no período pós-pandemia. Os dados utilizados nesta pesquisa resultam de levantamentos e trabalhos de campo realizados no período anterior à pandemia e da aplicação, durante a quarentena, de entrevistas semiestruturadas, via redes sociais, com donos e funcionários de barracas das praias da orla marítima da cidade. Para este estudo também foram analisadas as medidas normativas que incidiram sobre as praias da cidade do Rio de Janeiro durante a pandemia. Como principais resultados destacamos, primeiramente, a importância do “negócio de barracas” nos circuitos econômicos associados às praias cariocas, bem como o papel que a atividade desempenha na organização espacial da ocupação da faixa de areia. Em relação às medidas governamentais de isolamento social, notamos que as praias foram um dos os espaços afetados durante mais tempo pela suspensão das atividades e que, até a reabertura total ocorrida em outubro, as atividades associadas ao solário, como o “negócio de barracas”, foram as que apresentaram um horizonte mais incerto de retomada. Os impactos no cotidiano dos donos das barracas e de seus funcionários foram enormes, com a diminuição vertiginosa de suas rendas e as dificuldades de se encontrar alternativas de trabalho. Tais efeitos foram, em parte, compensados pela adoção de medidas assistenciais pelos governos e pela criação de redes de apoio envolvendo frequentadores, brasileiros e estrangeiros, das praias cariocas, fruto de uma relação construída ao longo de anos com barraqueiros e outros trabalhadores ambulantes. Por fim, a partir de um exercício comparativo com outras situações no mundo, destacamos os desafios já enfrentados para a adoção de novas formas de ordenamento do uso das praias no mundo pós-pandemia. In 2020, the rapid spread of Covid-19, a disease caused by a highly contagious virus, led many governments to adopt measures of social distancing, including the suspension of activities considered non-essential and the closure of public spaces. In Brazil, a country that is distinguished by sun, sea and sand tourism (3s), the effects were immediate in the months of March, April, May and June: closed beaches and the suspension of all economic activities linked to it. This article seeks to understand the effects of the Covid-19 pandemic on a traditional sector of the beach economy in Rio de Janeiro, the “tent business”. For that, we analyzed: 1) the organization of this sector in the pre-pandemic period; 2) the legal measures adopted to contain the spread of the new coronavirus and which affected the uses of beaches; 3) the effects of the pandemic on the daily lives of beach workers 4) the challenges for the resumption of activities in the post-pandemic period. The data used in this research are the result of surveys and fieldwork carried out in the period before the pandemic and the application, during quarantine, of semi-structured interviews, via social networks, with owners and employees of tents on the beaches of the city’s waterfront. For this study, the normative measures that affected the beaches of the city of Rio de Janeiro during the pandemic were also analyzed. As main results, we highlight, first, the importance of the “tent business” in the economic circuits associated with Rio beaches, as well as the role that tents play as poles of concen-tration of bathers in the sand strip. Regarding governmental measures of social distance, we noticed that the beaches were one of the areas affected for the longest time by the suspension of activities and that, until the total reopening occurred in October, the activities associated with the solarium, such as the “tent business”, were those that presented a more uncertain horizon of recovery. The impacts on the daily lives of the owners of the tents and their employees were enormous, with the vertiginous decrease of their incomes and the difficulties of finding alternative occupations. These effects were partially offset by the adoption of assistance measures by governments and the creation of support networks involving beachgoers, both Brazilian and foreigner, as a result of a relationship built over the years with stallholders and other beach workers. Finally, from a comparative exercise with other situations in the world, we highlight the challenges that are already being faced for the adoption of new ways of ordering the uses of beaches in the post-pandemic world





